Publicado em :17/10/2017

Análise Editorial – Edição de 17/10/2017

Com chamada na capa, O Estado de S. Paulo destaca que balanços de duas das maiores operadoras de saúde do País indicam que elas reveem a necessidade de até 30% das cirurgias indicadas por médicos da rede privada após consulta a uma junta médica. Na SulAmérica, que reavalia cerca de 450 pedidos por mês, 30% dos casos foram contraindicados. Na Amil, em que a junta médica revê 180 solicitações mensalmente, o índice de contraindicação integral é de 10%. O jornal procurou outras duas das maiores operadoras do mercado, mas as empresas não informaram se seguem esse tipo de protocolo.

Em nota complementar, O Estado de S. Paulo registra que o coordenador da Comissão Nacional de Saúde Suplementar do Conselho Federal de Medicina (CFM), Salomão Rodrigues afirma que o levantamento das operadoras está em desacordo com a realidade. Para ele, é uma “grave acusação contra os médicos brasileiros”. A entidade não tem um levantamento sobre denúncias dessa natureza, mas os casos (em que os procedimentos cirúrgicos são indicados sem necessidades) são “extremamente raros”, diz ele.

Sobre administração pública, O Globo informa que o Ministério Público Federal em Pernambuco (MPF-PE) pediu o afastamento cautelar (preventivo) do ministro da Saúde, Ricardo Barros (PP), sob a acusação de que ele estaria atuando para favorecer seu reduto eleitoral com a transferência de tecnologia da Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás) de Pernambuco para o Paraná. Na ação civil pública contra a União, o MPF afirma ser “clarividente o desvio de poder” na atuação do ministro, que “assumiu publicamente” o interesse político em levar o “mercado de sangue” para o Paraná, e argumenta que “o Ministério da Saúde teria conduzido tratativas junto à empresa Octapharma com vistas a construir, na cidade de Maringá/PR, uma nova fábrica de hemoderivados e recombinantes”.

Ainda envolvendo o governo, a Folha de S. Paulo informa que, em dez anos, o governo aplicou R$ 67,9 milhões em multas a laboratórios e distribuidoras por oferta e venda de medicamentos ao SUS acima do preço máximo permitido para esses produtos. Os dados são de levantamento inédito da Cmed (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos), órgão interministerial que é responsável por estabelecer critérios e fiscalizar esses preços. O balanço obtido após pedido do jornal aponta que, ao todo, foram aplicadas 494 multas desde 2008, a maioria delas depois de denúncias das secretarias estaduais e municipais de Saúde.

Na assistência, a Secretaria municipal de Saúde do Rio de Janeiro informou ontem que, de 1º de janeiro a 30 de setembro, unidades de sua rede fecharam as portas 552 vezes por falta de segurança — o que corresponde a uma média de duas interrupções por dia no atendimento à população, registra O Globo. No ano passado, no mesmo período, foram 380 paralisações, chamadas pela prefeitura de “episódios vermelhos”. Houve ainda 1.246 registros classificados de “amarelos”, ou seja, situações em que atividades externas de médicos e enfermeiros são suspensas por causa da violência. O levantamento veio à tona um dia após um cirurgião da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Maré ter sido sequestrado por uma quadrilha para socorrer um traficante baleado.

Na mesma área, O Globo conta que entrar pelos corredores do Hospital Municipal Raphael de Paula Souza, em Curicica, no Rio, pode parecer uma incursão por um mausoléu abandonado. São setores inteiros desertos, consultórios fechados, paredes e tetos carcomidos por infiltrações. Para onde se olha, há evidências de que a unidade definha, apesar de ser considerada uma referência para a internação em casos graves de tuberculose.

Completando a cobertura sobre as dificuldades da saúde no Rio, O Globo informa que, em pleno Outubro Rosa, campanha para estimular a participação da população no controle do câncer de mama, uma pesquisa feita pela Sociedade Brasileira de Mastologia, em parceria com a UFRJ, mostra a dificuldade para se chegar ao diagnóstico da doença. De acordo com o estudo, 42 dos 92 municípios do Estado do Rio não têm mamógrafo nas redes pública e privada, obrigando mulheres que necessitam do exame a se deslocarem para cidades vizinhas. O aparelho não está disponível, por exemplo, em Arraial do Cabo, Búzios, Itaguaí, Japeri, Maricá, Miguel Pereira, Paraty, Piraí, entre outros. No estado, há 484 mamógrafos, sendo que apenas 184 (38%) podem ser usados por pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).

Falando sobre medicina, o presidente da Federação Médica Brasileira (FMB), Waldir Araújo Cardoso, escreve em artigo no Correio Braziliense que, para responder à crise da saúde e à grita da sociedade por médicos, o governo da ex-presidente Dilma Rousseff optou por autorizar, de forma indiscriminada, a abertura de novas escolas médicas. “O aumento vertiginoso atinge e coloca em xeque a qualidade do ensino médico, tanto porque exige ampliar o número de professores qualificados, quanto pela inexistência de campos de prática suficientes. A velocidade com que as escolas estão sendo autorizadas e inauguradas não é a mesma para a formação de mais professores habilitados, e muito menos para estruturar ambientes propícios para o ensino da prática médica”, alerta.