Publicado em :03/10/2017

Análise Setorial – Edição de 03/10/2017

A colunista Claudia Collucci, na Folha Online, pergunta de quem é a responsabilidade pelo aumento dos custos da saúde privada, que atende 24,5% da população brasileira. Dos planos, que têm reajustado suas mensalidades muito acima da inflação geral ou dos prestadores de serviço, como médicos, hospitais e a indústria de produtos de saúde, por desperdícios e fraudes? O questionamento serve para introduzir a notícia de que, nesta segunda (2), duas associações, de hospitais privados (Anahp) e da indústria farmacêutica (Interfarma), lançaram um relatório com o propósito de esmiuçar os custos da cadeia da saúde e colaborar para um “debate mais transparente”.

Em nota, a Abramge (associação dos planos de saúde) disse estranhar a realização e divulgação do estudo sem que as entidades que representam as operadoras fossem convidadas para debater. A queixa tem sentido, conclui, já que quase a totalidade (94%) das receitas dos hospitais da Anahp vêm dos planos de saúde. O assunto também foi abordado pelo Estadão.com.

Na movimentação entre as empresas, o Valor Online destaca que a Qualicorp exerceu opção de compra e adquiriu a fatia restante de 25% na administradora de seguros Aliança e na GA Corretora, pelo valor de R$ 272 milhões. A aquisição foi feita por meio de suas subsidiárias Qualicorp Administradora e Qualicorp Corretora. As subsidiárias já eram detentoras de 75% do capital da Aliança e da GA Corretora conforme contratos de venda de aç& otilde;es firmados em 23 de maio de 2012 e em 1 de setembro de 2014. Desta forma, a Qualicorp passa a deter 100% do capital social das duas companhias. A empresa informou, ainda, que Elon Gomes de Almeida, fundador da Aliança e GA Corretora, deixará de exercer as funções de diretor presidente das duas companhias.

Passando para a regulamentação, a jornalista Alessandra Azevedo escreve no Correio Braziliense que até o fim do mês, o deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), relator do projeto que pretende mudar vários pontos da lei dos planos de saúde, quer divulgar o parecer sobre o tema à comissão especial. Embora o texto final ainda esteja em fase de produção, o parlamentar adiantou, em conversas com as entidades do setor, que deve mexer em dois estatutos quase “sagrados” para os beneficiários da saúde suplementar: o Código de Defesa do Consumidor (CDC) e o Estatuto do Idoso.

Sobre a indústria farmacêutica, a coluna Mercado Aberto, da Folha de S.Paulo, informa que o possível corte da insulina no Farmácia Popular deverá ter um impacto limitado nas farmacêuticas, segundo executivos do setor. A tendência de um aumento da demanda pelo produto nos próximos anos deverá garantir as vendas, diz o diretor-presidente da Biomm, Heraldo Marchezini. “Há 2 milhões de brasileiros que tomam al gum tipo de insulina, e o total de diabéticos cresce a dois dígitos, pelo envelhecimento da população e pela mudança de hábitos alimentares. Eles vão demandar de uma maneira ou de outra.”

A colunista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, anota que os planos de saúde perderam 700 mil usuários em agosto em comparação com o mesmo mês de 2016. Só em São Paulo foram 370 mil clientes a menos, segundo levantamento da FenaSaúde, associação que representa as maiores operadoras do setor e que credita a queda à crise. O resultado foi melhor do que o do ano anterior: entre 2015 e 2016, a perda de usuários chegou a 1, 5 milhão.

Na medicina, o grande destaque foi o anúncio do Prêmio Nobel para três americanos, Jeffrey C. Hall, Michael Rosbash e Michael W Young, pelas descobertas dos mecanismos moleculares por trás dos ritmos circadianos, informa a Folha de S. Paulo. O trabalho dos americanos foi decifrar quais são as engrenagens moleculares do chamado relógio interno. A grande sacada dos pesquisadores foi perceber que existe um processo de retroalimentação que configura o relógio.