» Análise Setorial – Edição de 26/10/2017
Publicado em :26/10/2017

Análise Setorial – Edição de 26/10/2017

A coluna Mercado Aberto, da Folha de S. Paulo, informa que a criação do trabalho intermitente, previsto na reforma da CLT, dificulta a dedução dos gastos do seguro saúde dos trabalhadores do imposto de renda das empresas. A regra atual permite esse mecanismo, mas sob a condição de que o benefício seja destinado a todos os empregados e dirigentes da folha de pagamentos. Se a contratante oferecer plano de saúde aos regulares, mas não aos intermitentes, coloca-se em risco a dedutibilidade no tributo, afirma Fernando Colucci, sócio do Machado Meyer.

Entrando na área de negócios, reportagem do O Estado de S. Paulo revela que a Dr. Consulta, rede de clínicas particulares criada em 2011, se prepara para o maior “salto” em número de unidades desde sua fundação. A rede, que hoje tem 45 clínicas em São Paulo, vai abrir mais 30 unidades em 2018 – um salto de 66% em apenas um ano. O objetivo é aumentar a presença no interior do Estado e começar a se estruturar para uma posterior atuação nacional. A companhia atraiu capital estrangeiro – seis fundos internacionais já investiram no projeto US$ 95 milhões (mais de R$ 300 milhões).

Em artigo para a Folha de S. Paulo, Morton Scheinberg, reumatologista do Hospital Israelita Albert Einstein, escreve que o Ministério da Saúde anunciou sua intenção de comprar somente dois dos oito medicamentos biológicos disponíveis hoje no sistema público para tratar a artrite reumatoide. O governo teria apresentado estudos que comprovariam os benefícios de adquirir apenas esses produtos, diz o autor, de forma a onerar menos seus cofres. Mas esses estudo s não têm fundamento científico, apenas econômico, e defendem uma tese que favorece exclusivamente o governo. E não o paciente, avalia.

“Com essa medida, o governo está revertendo o enorme avanço que o Brasil obteve no tratamento da artrite reumatoide nos últimos anos, um verdadeiro exemplo de sucesso, várias vezes apresentado internacionalmente por comprovar a importância de o país oferecer esses medicamentos na rede pública. Quem mais se beneficiou com a inclusão dos biológicos no SUS foram os pacientes. E são eles que mais serão prejudicados caso essa medida se concretize”, conclui.

Desde o início da semana, clínicas particulares de vacinação têm registrado aumento no movimento e até desabastecimento em doses contra febre amarela, destaca O Estado de S. Paulo. “É uma situação localizada de São Paulo. Não notamos em outros Estados, como Minas Gerais. A demanda por informação aumentou muito e, nesta semana, já dobrou o movimento”, afirma Geraldo Barbosa, presidente da Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas. O jornal ligou para cinco clínicas da capital. Duas informaram que o imunizante havia acabado e uma disse que tinha apenas duas doses. Todas confirmaram alta na procura nesta semana. Barbosa diz que a situação ainda não é preocupante por causa da oferta na rede pública.

Maurício Nogueira, presidente da Sociedade Brasileira de Virologia, afirma em entrevista para a Folha de S. Paulo que já era possível prever que a febre amarela iria ameaçar a capital paulista. Na opinião dele, ações humanas estão de duas formas por trás da ocorrência dos casos da doença no Brasil –desde dezembro de 2016, a quantidade já chegou a 777. Por um lado, o deslocamento de pessoas ajudou a consolidar a pre sença do vírus na região da mata atlântica. Por outro, o combate à doença enfrenta os efeitos da crise política e do estrangulamento financeiro das áreas de ciência e saúde.